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Sobre a Dança
do Ventre
Primitivamente, o
conceito de Deus era feminino, associado a uma GRANDE MÃE. A
veneração a divindades femininas era parte integrante das tradições
sagradas mais antigas. Nos rituais eram realizadas danças que
simbolizavam a origem da vida, através de movimentos ondulatórios
rítmicos no ventre. Em vários lugares foram encontrados indícios
desse tipo de ritual, como por exemplo: Mesopotâmia, Egito,
Anatólia. Posteriormente, a dança passou a ser realizada
exclusivamente por sacerdotisas dentro dos templos, com total
sincronia com os ritmos musicais.

Embora existam
ainda controvérsias sobre a origem da Dança do Ventre, a hipótese
mais provável é que tenha surgido no Egito a mais ou menos 1500 a.C
em rituais em que as sacerdotisas homenageavam a Deusa da
fertilidade, Ísis.
Após a invasão do
Egito pelo povo árabe em 638 d.C, a dança foi incorporada à cultura
árabe, deixando de ser apenas prática sagrada e assumindo caráter
mais festivo, passando a ser realizada em festas populares e
palaciais.
A princípio, os
nomes reais da Dança do ventre eram: Dança oriental, conhecida nos
países árabes; Racks el Chark, que significa Dança do Leste.
A nomenclatura
Dança do Ventre foi dada pelos franceses, pois nessa dança a
bailarina concentrava os movimentos no quadril quase que
exclusivamente.
O Egito foi o
palco principal do desenvolvimento da dança do ventre. Meninas eram
treinadas desde pequenas para servirem como “Canal de manifestação
da Deusa Isis” nos rituais religiosos.
Os rituais eram
iniciados com as sacerdotisas dançando e cantando para que a Deusa
se manifestasse, depois eram feitas oferendas de flores de lótus,
incensos, essências, água e frutas. Sem a presença das sacerdotisas,
as cerimônias não poderiam acontecer. A dança do ventre era ensinada
de geração a geração até a queda do Império egípcio, quando o povo
egípcio passou a sofrer influência de outros povos.

A dança do ventre
se espalhou por todos os países às margens do deserto do Saara ao
longo dos anos. Na turquia é chamada de “gobek dans”. Na Arábia
Saudita, antigamente a dança do ventre era sagrada e não podia ser
vista por homens.
História da
dança do ventre nas antigas civilizações
Mesopotâmia

Os
mesopotâmios cultuavam as forças da natureza, acreditavam na
imortalidade e possuíam complexas crenças filosóficas a respeito do
papel do homem na terra. A religião mesopotâmia foi determinante na
arte, na sociedade, na política, na formação das leis, e na economia
deste povo. Acreditavam também na existência de demônios, espíritos
maus que causavam doenças e desgraças, e que deveriam ser conjurados
nos rituais de magia.
A natureza humana para esse povo era ao mesmo tempo terrena e
divina. O espírito do homem sobrevivia à morte, porém tinha uma
existência sombria no reino dos mortos. O destino do homem era
servir aos deuses e seus templos, para que estes pudessem viver com
classe governante. O homem era apenas um meio para a vida das
divindades.
A natureza
humana para esse povo era ao mesmo tempo terrena e divina. O
espírito do homem sobrevivia à morte, porém tinha uma existência
sombria no reino dos mortos. O destino do homem era servir aos
deuses e seus templos, para que estes pudessem viver com classe
governante. O homem era apenas um meio para a vida das divindades.

Assim sendo, os templos eram os centros da vida econômica política e
cultural. O governante cuidava do templo regido pelo deus da sua
cidade, enquanto sua mulher dedicava-se ao templo da deusa local.
A relação
entre poder humano e divino era completa. As sacerdotisas tinham
sangue real e eram consideradas esposas humanas dos deuses, moravam
nos templos depois do seu casamento ou iniciação. Algumas dessas
sacerdotisas dedicavam-se ao culto da deusa Inana ou Ishtar. No
princípio desta civilização, Ishtar era a deusa da fertilidade, um
dos aspectos da mãe divina, representando também o poder criativo do
ser humano. Em homenagem a ela, as dançarinas dos templos executavam
seus bailados sagrados. Com a degradação dessa civilização, essa
deusa antes reconhecida como a mãe do céu, tornou-se mãe das
prostitutas. Os templos foram profanados, e as sacerdotisas tiveram
sua função totalmente desvirtuada.
Especula-se em torno da existência de templos nhá mesopotâmia que
praticavam a prostituição sagrada. Onde as sacerdotisas destes
lugares mantinham relações sexuais com qualquer homem que as
procurasse para esse fim, com o objetivo de abençoar
os seres humanos, já que acreditavam possuídas pela divindade nestas
ocasiões. Existem muitos boatos e pouca comprovação científica em
torno dessas práticas. Especula-se que tenha havido um único templo
com essa finalidade, cuja fama atingiu toda a civilização.
Dentre os
mesopotâmios, destacam-se os sumérios.
Suméria

É uma das
mais antigas civilizações da história, localizada no extremo sul da
mesopotâmia, entre os rios Tigre e Eufrates, onde depois se
desenvolveu a Babilônia. Atualmente, o território pertence ao sul do
Iraque, numa área situada entre Bagdá e o Golfo Pérsico. O povo
sumério tem origem desconhecida, e já formavam uma nação dominante
cerca de 4500 anos a. C.
Acredita-se que tenha vindo da Anatólia (atual região da Turquia).
Drenaram os pântanos para a agricultura, desenvolveram o comércio e
desenvolveram indústrias, entre as quais manufaturas de couro,
metal, cerâmica alvenaria e tecelagem.
Aos sumérios está atribuída a invenção da escrita cuneiforme, a mais
antiga forma grafada para representar os sons da língua; os primeiros
veículos sobre rodas e os primeiros tornos de cerâmica.
Os sumérios deixaram maravilhosas contribuições na literatura,
produziram inúmeros poemas, epopéias, hinos lamentações, provérbios
etc.

O povo sumério era
extremamente religioso, possuíam muitos templos e cultuavam a Deusa
Ishtar ou Inana como a grande mãe. Naquele tempo, cultura e religião
se confundiam e, os templos eram verdadeiras bibliotecas contendo
todo o conhecimento humano relativo à época.
Babilônia

A capital
mais famosa de toda Mesopotâmia foi a Babilônia, famosa por seus
belos edifícios e construções monumentais; como os jardins
suspensos, considerados entre as sete maravilhas do mundo antigo.
Famosa também pelo poder e esplendor cultural, foi colônia comercial
em épocas de domínio Sumério. Conseguiu se sobrepor à civilização
Mesopotâmica graças à estratégica posição geográfica e ao intenso
tráfico mercantil.
Localizada às margens do rio Eufrates ao sul da futura Bagdá, o nome
de babilônia no idioma acádico significa “porta de deus”. Era,
portanto uma cidade sagrada protegida por altas muralhas, nas quais
se abriam portas de acesso. Dessas portas amais famosa é a
construída em homenagem à deusa Ishtar.

A sociedade
Babilônia apresentava uma estrutura interessante: O rei era
considerado o substituto da divindade e por isso era poderoso e
temido. Os sacerdotes, os funcionários reais e os grandes
proprietários formavam a segunda categoria de homens superiores, que
eram também homens livres. Em terceiro, vinham os escravos,
adquiridos pela compra ou capturados em guerras. E a última
categoria social era a dos homens pobres, sem recursos; que embora
fossem livres de nascimento, poderiam cair na escravidão caso não
pagassem suas dívidas.
A família era a base social, e os matrimônios deveriam se
estabelecer de forma estável e duradoura. Os casamentos eram
monogâmicos, regidos por um contrato, realizado pelo marido diante
de testemunhas no qual se estabeleciam os direitos e obrigações da
esposa. O homem era a autoridade e possuía total independência no
manejo dos bens.
Egito

É bastante
comum encontrar no ocidente informações que dão conta do surgimento
da dança do ventre dentro de templos do antigo Egito, mais
especificadamente nos cultos á deusa Isis. Porém, quando a
civilização egípcia começou a se consolidar e prosperar como nação,
a dança e os cultos em homenagem à grande deusa já existiam a muito
tempo.

Pode ser que, como aconteceu na Grécia e Fenícia, os cultos da deusa
Isis tenham incorporado rituais antigos, como os cultos à deusa
Hathor, utilizando a dança como forma de ritual de adoração, já qua
esta deusa egípcia possui as qualidades atribuídas à mãe Divina. É
provável também que os egípcios antigos, tenham desenvolvido de
forma especial a música e a dança durante suas manifestações
religiosas.
A
civilização egípcia antiga facina o mundo todo por sua grandiosidade
e seus conhecimentos: na arquitetura, construção das pirâmides e
câmaras funerárias dos faraós, na medicina, além das técnicas de
mumificação, os egípcios podiam realizar complexas cirurgias, na
astronomia, astrologia e nas artes, a pintura, a escultura, a
escrita através dos hieróglifos e as danças.

No antigo
Egito, os dançarinos de templos (homens e mulheres) formavam uma
classe especial dentro da sociedade. Sua função era divertir a
aristocracia, já que reis e suas famílias não dançavam. Muitos eram
de origem estrangeira e apresentavam basicamente dois tipos de
espetáculo: o mímico, contando histórias através de gestos e
posturas corporais; e uma espécie de ginástica com flexibilidade e
equilíbrio.
Muitas informações sobre a dança chegaram a te nós através das
representações em pinturas nas paredes das câmaras funerárias e nos
papiros. Sabe-se que além do caráter religioso, as danças em geral,
tinham características de entretenimento nos palácios dos faraós.
Por vezes as danças eram encomendadas e baseadas num tema proposto.
Muitas dessas pinturas mostram bailarinas realizando movimentos
acrobáticos próximos do contorcionismo.

Aliás, esses movimentos são similares ao realizados dentro dos
templos indianos pelos dançarinos que lá viviam. Mais uma vez as
coincidências entre as civilizações antigas do Egito e da Índia se
evidenciam. Talvez a grande diferença entre as duas civilizações
apareça sob outro aspecto: enquanto muito da cultura indiana chegou
até nossos dias por meio dos textos e dos hábitos mantidos
principalmente pelos seguidores do hinduísmo, o Egito antigo, em
vários aspectos ainda continua a ser um mistério.
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